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Temos opções reais?

A liberdade de escolha educacional é proporcional à diversidade da oferta. Todas as escolas brasileiras, sejam da rede pública ou privada, são obrigadas a seguir uma base nacional comum curricular tecnicamente mal elaborada e ideologizada. Os currículos das escolas podem *adicionar* outros temas, mas não podem abolir o que está na BNCC. Podem adotar livros didáticos diversos daqueles sugeridos e, no caso da rede pública, enviados “gratuitamente” (hahahahah) pelo MEC.

Na rede pública, as secretarias de educação, de modo geral, são tomadas pelas mesmas pessoas que não apenas apoiaram a malfadada elaboração da BNCC, como hoje defendem sua incorporação na prática pedagógica das escolas.

De modo geral, os capacitadores de professores, incluindo as pessoas ligadas a ONGs educacionais que participam do processo de capacitação, também são os mesmos que defendem não só a BNCC como também o Sistema Nacional de Educação, que pretende extinguir de vez o poder de escolha curricular das famílias que têm filhos em escolas públicas.
Agora imagine aí o nível da “capacitação” que os pobres professores recebem...

Na rede privada, de modo geral, não é diferente. Embora as secretarias não interfiram, a maioria dos gestores, professores e capacitadores contratados vêm da mesma fôrma: os cursos de licenciatura e pedagogia chancelados pelo MEC. Cursos que ignoram os avanços das ciências cognitivas há décadas incorporados aos cursos de formação docente em países como Estônia, Finlândia, Holanda, etc.

São também cursos que continuam praticamente sem critério algum para entrada de alunos. Literalmente qualquer analfabeto funcional consegue entrar. Mesmo nas universidades públicas, notas ridículas no Enem, que não qualificam para cursos de qualidade um pouco melhor, são suficientes para quem quer ser professor.

E, se nem assim o candidato conseguir, caso seja egresso de escola pública (grandes chances de ser ainda pior preparado), consegue uma bolsa do Prouni ou um “empréstimo” do Fies e entra em uma faculdade privada.

Alguns anos depois, essa mesma pessoa, incapaz de entender um texto de complexidade um pouco maior, estará oficialmente apta a assumir uma turma em uma escola privada ou a participar de um concurso para dar aulas em uma escola pública.

Como esperar que daí saiam currículos tecnicamente embasados, desafiadores e desideologizados, ou a seleção de livros didáticos de qualidade, como os portugueses, por exemplo?

Voltando ao início do texto: a liberdade de escolha educacional é proporcional à diversidade da oferta. É por isso que nós do Livre pra Escolher defendemos:

- uma profunda reforma na carreira de professores de escolas públicas de modo a atrair apenas os melhores alunos do ensino médio
- cursos de formação docente de excelência e com alto nível de exigência para entrada (com ou sem a chancela do MEC)
- cursos de formação de gestão educacional de excelência (com ou sem a chancela do MEC)
- real autonomia gerencial, curricular e disciplinar para gestores escolares
- substituição da BNCC por um currículo nacional enxuto, mas ambicioso para o ensino fundamental, que cubra basicamente língua portuguesa, matemática e inglês
- financiamento direto dos estudantes, ao invés do sistema estatal. Escola pública ou privada que não conseguir atrair a escolha das famílias tem mais é que fechar.

Não é preciso reinventar a roda. Há modelos prontos em países cuja educação é de excelência.

Vamos pilotar projetos, acompanhar o desempenho de cada um, avaliar os resultados, escalar aqueles mais promissores, permitir diversidade de focos e estimular escolhas.

A grande vantagem para nós é que não há qualquer risco de nossa educação piorar.
Por
Anamaria Camargo

Mestre em Educação pela Universidade de Hull, programa no qual atuou como professora durante nove anos. Consultora e ativista em prol de políticas educacionais liberais. Autora de livros e artigos sobre Educação e Liberalismo.