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Três sugestões para aliviar os gastos com pessoal em universidades públicas

Em junho de 2021, Anamaria Camargo, diretora executiva do Livre pra Escolher, contribuiu para um artigo da Gazeta do Povo chamado 'Universidades federais gastam quase 90% em salários. Qual é a melhor saída para sanear contas?'

Diante da resistência de alguns professores de voltar ao trabalho (presencial), renovamos aqui um pouco da nossa contribuição ao debate, com três sugestões.

Três sugestões:

1) Cobrar de quem pode pagar — não resolve, mas...

a) ajuda a moralizar um sistema em que basicamente o filho do pobre banca o curso universitário do filho da classe média-alta. Sim, ainda é assim;

b) desestimula a permanência de estudantes na universidade por anos e anos além do que seria necessário. Afinal, para que pressa se ele não paga mensalidade?;

c) já que não resolve o problema de insustentabilidade das universidades, os recursos obtidos poderiam ajudar e muito os alunos da educação básica se direcionados, por exemplo, ao financiamento de vouchers.

2) Transformar todas as disciplinas predominantemente TEÓRICAS em cursos online. Assim como várias empresas continuarão adotando o home office, as universidades poderiam fazer o mesmo quando o objeto do estudo não exige prática.
O pessoal que luta para não retornar às aulas (presenciais) mesmo depois de todos estarem vacinadíssimos ficaria feliz.

– ou será que não?

Haveria economia nos gastos de custeio e assim, seria possível disponibilizar espaço e equipamento para os estudantes participarem de aulas remotas.

Uma vez garantido o acesso, estudantes que se matriculassem em disciplinas remotas e que não tivessem participação ativa por dois semestres deveriam ser jubilados.

Turmas grandes poderiam ser atendidas por equipes de dois ou mais professores — o que seria muito enriquecedor para alunos e professores.
Seria exigido um número mínimo de alunos ativos para que a turma permanecesse aberta.

Muitas turmas fecharão, deixando professores sem aulas para dar? Talvez muitos desses professores não sejam tão necessários assim.

Sim, eu sei que, lamentavelmente, teríamos que continuar bancando os salários integrais de todos eles. No entanto, expor a realidade de que gastamos com salários muito além do que precisamos é uma necessidade urgente.

Vamos divulgar quanto gastamos com alunos descomprometidos e com salários de professores sem alunos.

E vamos premiar os professores que conseguirem atrair e manter mais alunos ativos.

Talvez isso ajude a desmascarar mitos e, quem sabe, isso cause algum constrangimento quando professores e funcionários pensarem em fazer greves ou quando governos resolverem criar mais universidades.

Com um pouco menos de obscurantismo dogmático, o que permitiria a alteração de regras impeditivas, os espaços subutilizados poderiam ser alugados/ usados para parcerias com a iniciativa privada. Inclusive para que neles funcionassem escolas charter durante o dia. A universidade ganharia uma fonte de recursos privados e haveria opções de educação básica de melhor qualidade.

3) A contratação de gestores privados para pilotar projetos visando eficiência e competitividade acadêmico-científica, que depois serviriam de modelo.

Esses gestores externos poderiam implementar políticas de incentivos para departamentos, tais como aportes diferenciados de verbas e impacto na progressão de carreira, conforme os resultados obtidos.
 

Por
Anamaria Camargo

Mestre em Educação pela Universidade de Hull, programa no qual atuou como professora durante nove anos. Consultora e ativista em prol de políticas educacionais liberais. Autora de livros e artigos sobre Educação e Liberalismo.